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Entrevista: Kátia Abreu fala sobre pré-candidatura ao Governo em 2018 e diz que gestão Miranda ‘não existe’

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Senadora Kátia Abreu (PMDB-TO)

A senadora tocantinense Kátia Abreu afirmou, em entrevista ao AF Notícias, que pretende disputar o Governo do Estado nas eleições 2018 e não economizou críticas à gestão do atual governador Marcelo Miranda. Segundo ela, Miranda “conseguiu transformar o Tocantins no velho e atrasado norte-goiano”.

Afiada, Kátia ainda alfinetou a deputada Josi Nunes, chamando-a de incoerente por não se manifestar, em momento algum, contra as denúncias de corrupção envolvendo membros do partido. A senadora falou também sobre o Matopiba, servidores públicos, reforma administrativa, possível secretariado, investimentos e avisou que não tem medo dos inimigos.

Confira a entrevista completa 

 AF –  O que significa suas andanças pelo o Estado?

KA – Eu gosto de fazer isso, é uma experiência maravilhosa. Devido a compromissos com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), e o Ministério da Agricultura, eu estava impossibilitada de andar mais pelo Estado. Agora, estou conversando de perto com diversos segmentos da sociedade e ouvindo mais sobre o sofrimento do povo tocantinense, principalmente nos últimos três anos.

AF – A senhora é mesmo candidata ao Governo do Estado?

KAEu pretendo ser candidata, mas temos de ouvir as pessoas e as pesquisas para sabermos as reais condições para a efetivação desse projeto que passa pelos meus companheiros, amigos e sociedade. Todos desejam mudança urgente na maneira de se conduzir os rumos do Estado.

AF – De onde vem a força para a senhora tentar uma candidatura ao Palácio Araguaia?

KA Do meu serviço prestado ao Estado, isso conta muito e tenho pulso para trabalhar. Além disso, o governador [Marcelo Miranda] jogou o Estado num buraco. O Tocantins está num estado deplorável, voltamos à época do então norte de Goiás. Esse é o sentimento da sociedade.

AF – A senhora está dizendo que Marcelo Miranda regrediu o desenvolvimento do Estado?

KA Sim. Esse é o sentimento coletivo.

AF – Mas ele está inaugurando obras…

KA Ele está inaugurando o que já foi inaugurado, isso é ridículo para um governo.

AF – Política muda a todo instante. É possível ainda uma aliança com Marcelo Miranda?

KA – Acho impossível.

AF – Mas a senhora o apoiou para ser governador…

KA – O apoiei pensando que ele fosse ser um bom governador, mas frustrou todo mundo.

AFN – cite três nomes que poderiam compor sua chapa.

KA – Hoje temos dez bons nomes para o senado.

AF – Quem são?

KA- Não vou decidir isso agora faltando mais de um ano para as eleições.

AF – Quem vai escolher, então?

KA – As circunstâncias, a opinião pública, o grupo, os partidos, a sociedade. Mas temos um nome hoje que é quase unanimidade em todo o Estado, que é Siqueira Campos.

AF – Cite três prioridades num eventual governo Kátia Abreu.

KA – Você perguntou exatamente as três que escolhi como prioridade, que são a saúde, segurança pública e a reforma administrativa, com menos burocracia, gastando menos com a máquina e investindo mais nas pessoas. O Tocantins é hoje semelhante a uma loja vazia ou a uma grande fazenda sem uma cabeça de gado dentro dela. Falta visão do gestor para promover o desenvolvimento e o progresso do Estado.

AF – E a industrialização?

KA Importantíssima e está na agenda das nossas prioridades. O Tocantins precisa caminhar para o desenvolvimento, gerando emprego e renda, e só assim, melhorar a qualidade de vida do nosso povo.

AF – O Matopiba da Kátia Abreu morreu?

Foto: Divulgação
Senadora Kátia Abreu diz que governo de Marcelo Miranda “não é sério”.

KA – O Matopiba é do Brasil e não meu. Ele foi criado para ser uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. Infelizmente, lideranças medíocres acham que o Matopiba é da Kátia. O Matopiba é do País, e já existia na cabeça das pessoas, daqueles que pensam e planejam o futuro do País; eu apenas dei legalidade ao projeto quando fui ministra da agricultura. Eu acelerei o processo, pois é uma excelente oportunidade de crescimento para o Tocantins e o Brasil.

AF – Como a senhoria lidaria com o servidor público?

KA – Obrigado pela pergunta. Quando fui ministra eu enfrentei um dos sindicatos mais fortes da Esplanada, o dos fiscais federais. Eu consegui atender quase 100% das demandas deles sem prejudicar o ministério. O servidor precisa entender o valor e a importância que tem; o servidor público é parceiro, é ele quem faz a máquina andar, precisa ser valorizado. Já conversei com vários servidores e ninguém me falou em salário, mas sobre apenas o que é justo, que a valorização da carreira pública.

AF – Seu secretariado teria perfil técnico ou político?

KA – O perfil do meu secretariado, caso seja eleita, será o da competência para o cargo, seja ele político ou técnico. E mais: tem de ser gente do Tocantins. Aqui temos pessoas altamente capacitadas para ajudar o governo a crescer em todas as áreas.

AF – Como será a representatividade do norte do Estado, principalmente de Araguaína, numa eventual chapa da senhora?

KA Não abro mão de representantes da região norte, principalmente de Araguaína, que é o coração econômico do Estado. Obrigatoriamente, Araguaína terá alguém na majoritária. Vamos chegar ao governo do Estado junto com Araguaína, que representará todo o norte do Estado.

AF – Quem?

KA –  Lá tem excelentes nomes. Estamos conversando com todos. Ronaldo Dimas, por exemplo, está fazendo uma boa gestão.

AF – Qual a avaliação da senhora da gestão Marcelo Miranda?

KA – Não existe, está à deriva, caminhando para o caos. Ele não tem preparo para tocar o Estado. O servidor público conhece o Estado mais que o próprio governador. Ele contratou quatrocentos cabos eleitorais no Bico do Papagaio para fazer politicagem e deixa de valorizar o servidor público. Não é um governo sério.

AF – A deputada Josi Nunes pediu sua saída do PMDB. A senhora fica ou sai?

KA – ela deveria pedir a saída era dos corruptos.

AF –  Quem?

KA –  Por que ela não pediu a saída de Marcelo Miranda quando ele foi denunciado na operação Rei do Gado, quando foi acusado de comprar fazendas cheias de gado, desviando mais de duzentos milhões de reais, dinheiro que poderia ser investido na saúde, na educação e na segurança pública?

AF – Apenas uma vaga para dois candidatos do PMDB, a senhora e Marcelo Miranda. Isso não vai dar um curto-circuito?

KA – Não acredito que Marcelo Miranda termine o mandato. As acusações contra ele são gravíssimas. Todo mundo que tem processo só tem dois caminhos: ser livre ou ser condenado.

AF – A senhora tem medo dos seus inimigos?

KA – Não. Só respeito e rezo muito por eles para que tenham paz e não tenham inveja de mim.

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