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Preso na Lava Jato fez movimentação atípica de R$ 30 mil em posto de combustíveis de Araguaína, aponta COAF

Agnaldo Araujo - |
Foto: Agência O Globo
O publicitário André Gustavo Vieira da Silva e o irmão dele Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior

O publicitário Antônio Carlos Vieira da Silva Junior, um dos presos da Operação Lava Jato e apontado como ‘operador’ do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, realizou uma transação de R$ 30 mil em um posto de combustíveis de Araguaína (TO).  A movimentação é considerada ‘atípica’ e já foi informada à Polícia Federal.

A transação foi informada à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O comunicado também informa a movimentação de R$ 800 mil, que teria sido feita em uma conta recém aberta no ano de 2011 por intermédio de uma empresa de segurança especializada em transporte de dinheiro. Os valores foram declarados ao Fisco e eram oriundos de um ‘cofre pessoal’.

A transferência dos R$ 30 mil no posto de gasolina de Araguaína chamou a atenção das autoridades, pois esse mesmo estabelecimento já foi alvo de investigações por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O processo envolvendo o posto está sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.

O Coaf comunicou as movimentações de R$ 830 mil consideradas ‘atípicas’ em relatório à PF no Paraná, levantado para identificar repasses relacionados ao departamento de propinas da Odebrecht. A empresa Odebrecht tinha ramificações em Araguaína até recentemente, quando operava a concessionária de água e esgoto por meio da Saneatins|Odebrecht Ambiental.

O Coaf é um órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por comunicar atividades financeiras que levantam suspeitas sobre lavagem de dinheiro aos órgãos de investigação. Saques e depósitos de mais de R$ 100 mil em espécie são sempre comunicados ao Conselho, mesmo que não levantem indícios de crimes.

O publicitário e seu irmão, André Gustavo Vieira da Silva, são investigados pela suposta operacionalização do repasse de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht ao ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, em 2015. De acordo com as investigações, inicialmente, ainda na presidência do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões de propinas em troca da facilitação da rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial.

A nova cobrança, de R$ 3 milhões, teria sido feita à época em que Bendine já estava à frente da Petrobras, em 2015. O repasse foi realizado em três parcelas de R$ 1 milhão em espécie cada. Dois pagamentos ocorreram quando o empresário Marcelo Odebrecht já estava preso, em julho daquele ano.

DEFESA DE ANTONIO CARLOS

“Nenhuma movimentação é contemporânea aos fatos investigados. Não faz sentido se justificar do que não tem relação  aos fatos. O processo é B.B. E Bendine e não da vida de meu cliente”, disse seu advogado Ademar Rigueira.

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