Direto ao Ponto

Arnaldo Filho

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Efeito cascata

Pulo de Irajá pode reformular prováveis chapas de Wanderlei, Dimas e do próprio Damaso

Grupo governista pode trocar Kátia por Dorinha; e Dimas pode lançar Eli Borges ao Senado.

Por Arnaldo Filho 2.978
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05/07/2022 17h03 - Atualizado há 1 ano
Osires Damaso, Ronaldo Dimas e Wanderlei Barbosa

O pulo do senador Irajá (PSD) para o grupo que apoia a pré-candidatura de Osires Damaso (PSC) ao governo do Tocantins gerou grande desconforto na relação da sua mãe Kátia Abreu, senadora e pré-candidata à reeleição, com a cúpula política do Palácio Araguaia, sob o comando do governador Wanderlei Barbosa.  

A divisão política na Família Abreu acena para uma possível reviravolta no tabuleiro político, capaz de acirrar a disputa pelo Governo do Estado.

Irajá disse que ligou para quase 80 prefeitos antes de tomar a decisão pró-Damaso, gestores não apenas do PSD, mas também do Progressistas, partido sob o comando da sua mãe. Portanto, em tese, o senador não decidiu sozinho, e afetou diretamente os interesses do Palácio. Kátia afirma ter sido pega de surpresa pela decisão do filho.

Muitos prefeitos não trocam o certo pelo duvidoso

Por outro lado, dizer que Irajá conseguirá levar pelo menos metade desses prefeitos para a chapa de Damaso, é uma grande incógnita!

Com raríssimas exceções, os gestores municipais preferem a proteção e a sombra do ‘guarda-chuva’ do Palácio. Mas é fato que a manifestação política de Irajá causou um verdadeiro turbilhão de ocorrências que podem mudar as configurações pré-eleitorais, como também o resultado final do pleito de outubro.

Também é fato que Irajá deixou o clima insustentável para a própria mãe no Palácio Araguaia. Desse modo, surgem algumas conjecturas sobre o possível destino político da senadora.

No atual cenário, o caminho que se mostra mais viável é o aberto por Irajá na chapa de Damaso. Contudo, por lá já existe um forte postulante à vaga no Senado, o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo (PSB), que é apadrinhado por Carlos Amastha, diga-se de passagem, o primeiro incentivador da candidatura de Damaso ao governo.

Amastha articulou bastante para viabilizar uma candidatura independente como a de Damaso, e o sucesso da aliança política garantiu uma vaga na Câmara dos Deputados para o suplente de deputado federal Tiago Andrino, outro apadrinhado pelo ex-prefeito de Palmas.

O "descarte" do técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo seria menos doloroso se ele não tivesse escolhido justamente o PSB para disputar a eleição. Esse prestígio a candidaturas próprias é muito valorizado pela cúpula nacional do partido e seu presidente Carlos Siqueira. Portanto, haveria uma forte queda de braço na chapa de Damaso entre Kátia e Luxemburgo.

Todo cuidado é pouco com o efeito cascata

Por falar em mudança de curso e trajetória, mesmo que a princípio essas intercorrências pareçam não atingir o pré-candidato Ronaldo Dimas, a verdade é bem outra. A deputada federal Professora Dorinha, pré-candidata a senadora, mantém fortes laços com o senador Eduardo Gomes, o maior apoiador do ex-prefeito de Araguaína. Mas, logicamente, ante a provável saída de Kátia Abreu da chapa palaciana, o nome de Dorinha passa a ser o preferido do grupo governista.

Essa possibilidade é tão real que o próprio Dimas já tem um Plano B, lançar o deputado federal Eli Borges (PL) como pré-candidato a senador.

O pulo de Irajá foi apenas o start dos 90 dias que antecedem as eleições, ainda não há um desfecho. Naturalmente, outras peças deverão ser mexidas nesse tabuleiro até as convenções partidárias, mas o certo é que mudou o clima de picolé de chuchu da corrida eleitoral no Tocantins.

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